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Campanha de Flávio diz que decisão do STF de suspender visita é ‘autoritária’

Nota é assinada pelo coordenador da equipe, o senador Rogério Marinho

A campanha do senador Flávio Bolsonaro à Presidência criticou nesta segunda, 13, a decisão do STF que suspendeu as visitas dele ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por 90 dias.

“A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político”, diz a nota, assinada pelo coordenador da campanha, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

Mais cedo, o ministro do STF Alexandre de Moraes proibiu que Flávio visite o pai por 90 dias após o senador divulgar nas redes sociais uma carta escrita pelo ex-presidente. Para o ministro, ao fazê-lo, Jair Bolsonaro desrespeitou um dos requisitos para sua prisão domiciliar, de não usar as redes sociais próprias nem por meio de terceiros. “Utilizando-se do seu direito de visita, Flávio Bolsonaro obteve uma carta do sentenciado Jair Messias Bolsonaro, com a exclusiva finalidade de divulgá-la nas redes sociais. Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de Flávio Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial”, escreveu o ministro na decisão.

Moraes ainda apontou que a carta de Jair Bolsonaro foi equivalente a um pedido de voto, o que é proibido antes do início oficial da campanha, em 16 de agosto, e que a conduta do senador deverá ser apurada pelo Ministério Público Eleitoral.

No sábado, 11, o senador leu em transmissão nas redes sociais um documento manuscrito assinado pelo pai, que diz que o momento é de “deixar de lado as possíveis diferenças” e se empenhar para a eleição de Flávio. A carta foi divulgada em meio à disputa pública na família Bolsonaro, vinda à tona após um vídeo da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, em que ela acusa o enteado de maltratá-la.

Leia a nota da campanha de Flávio na íntegra:

A decisão do ministro Alexandre de Moraes de proibir o senador Flávio Bolsonaro de visitar o próprio pai, por ter divulgado uma carta escrita por Jair Bolsonaro, é autoritária, desproporcional e, na prática, tenta tornar o ex-presidente incomunicável. Uma clara interferência no jogo político.

A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição.

O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais.

Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento.

Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa.

Senador Rogério Marinho
Líder da Oposição no Senado Federal

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