A possibilidade de uma articulação entre setores da direita e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), envolvendo o futuro político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi descartada pelo líder da oposição na Câmara, deputado federal paraibano Cabo Gilberto Silva (PL-PB). O parlamentar negou que exista acordo para conceder anistia ou indulto ao ex-presidente em troca de apoio à reeleição de Alcolumbre, prevista para fevereiro de 2027.
“Até as eleições da Câmara e do Senado vai ter muitas especulações, vai ter muita conversa. De concreto não tem nada com relação a isso”, afirmou Cabo Gilberto durante entrevista ao programa Correio Debate, da Rádio Correio 98FM.
O deputado também sinalizou que o Partido Liberal (PL) pretende participar diretamente da disputa pelo comando do Senado. Segundo ele, a legenda poderá lançar um nome próprio ou apoiar um candidato que defenda mudanças na relação entre os Poderes. “Todos sabem que o partido do PL vai ter candidatura própria ou apoiar alguém que possa devolver ao Congresso Nacional a estabilidade democrática para que cada poder possa cumprir o seu dever constitucional”, declarou.
As especulações ganharam força após informações divulgadas pela imprensa nacional apontarem que Alcolumbre estaria disposto a discutir alternativas para a situação jurídica de Bolsonaro, como estratégia para atrair o apoio de parlamentares da direita. Uma das possibilidades seria apresentar ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) uma proposta de indulto humanitário, cuja concessão depende de decisão do chefe do Executivo.
Caso não consiga avançar com Lula, o senador poderia buscar uma alternativa por meio da anistia no Congresso Nacional. As conversas também estariam relacionadas à tentativa de diminuir a pressão de parlamentares da direita por medidas contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes.
Ao comentar a nova composição do Senado após as eleições de 2026, Cabo Gilberto destacou o desempenho da direita nas urnas e defendeu mudanças na atuação do Legislativo. “A resposta das ruas foi essa, quando elegeu o maior número de senadores da história de direita para que o Brasil possa retornar ao Estado Democrático de Direito, em respeito à Constituição Federal e à população”, afirmou.
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