A voz da Imparcialidade

Tarifaço de Trump começa nesta quarta: o que se sabe e o que muda para o Brasil

Estados Unidos passam a aplicar sobretaxa de 25% para produtos produzidos aqui. Governo descarta retaliação imediata

A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras começa a valer nesta quarta-feira, 22. A medida foi anunciada na semana passada após uma investigação do governo Donald Trump concluir que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os EUA.

Entre os exemplos citados estão o sistema de pagamentos Pix e a regulação de plataformas digitais. As justificativas são questionadas pelo Brasil, que considera a medida como tentativa de interferência em temas nacionais e com motivação política.

Apesar de toda a tensão, o governo não deve fazer uma retaliação imediata. Na véspera, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o país deve negociar e socorrer os setores e empresas impactados pela medida. O governo acompanha ainda a possibilidade de uma nova taxa, de 12,5%, ser aplicada ao país. 

O que muda a partir desta quarta

A medida anunciada pelo governo de Donald Trump prevê uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Segundo o governo brasileiro, a sobretaxa poderá atingir cerca de 18% das exportações destinadas ao mercado americano, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.

Nem todos os produtos brasileiros serão afetados. O governo americano divulgou uma lista de exceções que contempla milhares de itens, incluindo produtos considerados estratégicos para os Estados Unidos, como parte do agronegócio, da indústria de base, do setor aeronáutico e das indústrias farmacêutica e química.

O governo vai retaliar?

Na véspera da entrada em vigor das tarifas, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo não pretende responder com retaliações imediatas. Embora tenha lembrado que a Lei da Reciprocidade foi aprovada por unanimidade pelo Congresso, ele reforçou que a prioridade é manter as negociações com Washington. “A ideia não é retaliação. Olho por olho, o que pode acontecer é os dois ficarem cegos”, afirmou Alckmin após reunião com representantes de setores que serão afetados pela sobretaxa. Segundo ele, a estratégia do governo é buscar uma solução negociada para o impasse comercial.

Como o governo pretende reduzir os impactos

Enquanto mantém o discurso de negociação, o governo finaliza um pacote para reduzir os impactos da medida sobre empresas exportadoras. Entre as ações em estudo estão linhas de crédito para capital de giro e investimentos por meio do programa Brasil Soberano, além da flexibilização temporária das regras do regime de drawback, mecanismo que concede benefícios tributários para insumos utilizados na produção de mercadorias destinadas à exportação.

O Executivo também avalia ajustes nas exigências para manutenção de empregos em setores que eventualmente recebam apoio emergencial. Paralelamente, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) pretende intensificar a busca por novos mercados para produtos brasileiros, com foco em Índia, México, Japão, Singapura e países do Sudeste Asiático, além do avanço de acordos comerciais entre o Mercosul e parceiros internacionais.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que o pacote de apoio é a principal alternativa de curto prazo. A expectativa entre aliados do presidente Lula é que uma negociação mais ampla com os Estados Unidos só ocorra após as eleições americanas. Ainda assim, o Planalto pretende tentar ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa.

A ofensiva comercial dos EUA não deve parar no Brasil

Ao mesmo tempo em que as tarifas contra o Brasil entram em vigor, o governo Trump prepara uma nova rodada de sobretaxas comerciais. O representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou que Washington anunciará nos próximos dias tarifas para aproximadamente 60 países, com base em investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

Segundo Greer, as novas medidas deverão substituir as tarifas temporárias adotadas após decisão da Suprema Corte americana que anulou parte das sobretaxas impostas anteriormente por Trump. Além do Brasil, o Canadá também foi alvo de novas sanções comerciais nos últimos dias, enquanto outros parceiros dos Estados Unidos poderão ser atingidos pela nova política tarifária nas próximas semanas.

Com Veja

COMPARTILHE AGORA

Facebook
Twitter
WhatsApp