Convenção estadual do Republicanos no Ginásio do Ibirapuera teve participação do presidenciável Flávio Bolsonaro, do PL
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se tornou oficialmente candidato à reeleição neste sábado, 1°, durante a convenção estadual do Republicanos em São Paulo.
O evento, que aconteceu no Ginásio do Ibirapuera, na zona sul da capital, contou com a participação dos candidatos à Presidência Flávio Bolsonaro, e ao Senado, Guilherme Derrite e André do Prado, além do vice-governador Felicio Ramuth (MDB), do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), e de presidentes de partidos.
Tarcísio construiu ao redor de si uma aliança ampla, de doze legendas: PSD, MDB, PL, Podemos, Novo, Avante, Solidariedade e PRD, além das federações União-PP e PSDB-Cidadania.
Isso se refletiu na lotação do espaço, que tem capacidade para 11 mil pessoas. Quando Tarcísio subiu ao palco, teve recepção de popstar, com fanfarra e lanternas de celulares ligadas. No entanto, na hora de seu discurso, o último do evento, o local estava notavelmente mais vazio. A fala de Tarcísio foi precedida imediatamente pela de Flávio Bolsonaro, quando militantes, principalmente do PSD e do MDB, deixaram as arquibancadas. O PSD tem candidato próprio à Presidência, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, enquanto o MDB já declarou neutralidade e liberou seus filiados para apoiarem quem for mais conveniente.
Acenos às mulheres
Todos os discursos no evento contaram com apelos ao eleitorado feminino, entre o qual Tarcísio tem menos força do que entre o masculino. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta, 29, dá larga vantagem a Tarcísio sobre seu principal oponente, Fernando Haddad (PT). No recorte por gênero, porém, o governador tem 50% da preferência dos homens e 34%, das mulheres.
O governador abriu seu discurso com uma homenagem à esposa, Cristiane, e se emocionou ao entregar a ela um buquê de flores. Antes, o presidente do partido, Marcos Pereira, havia chamado à frente a primeira-dama, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e outras mulheres, e fez um apelo direto. “Quando disserem que nós, e quando eu falo aqui nós, eu estou falando do Flávio Bolsonaro, do governador Tarcísio, que nós não respeitamos as mulheres, que nós não valorizamos as mulheres, isso é mentira”, declarou.
Lealdade a Bolsonaro
O governador declarou apoio a Flávio, como vem fazendo, e agradeceu ao ex-presidente Jair Bolsonaro por ter-lhe aberto as portas.
“Ele me fez. Ele teve essa ideia, essa genialidade, um carisma que eu nunca vi igual. E ele me abriu essa porta. Nós amamos seu pai”, dirigiu-se Tarcísio a Flávio. “Nós amamos Jair Messias Bolsonaro.”
Ataque a Haddad
Os discursos foram contidos em ataques diretos aos adversários, evitando polêmicas como as da convenção do PL na semana passada, em que xingamentos do presidente da Argentina, Javier Milei, a autoridades brasileiras causaram um incidente diplomático.
O mais contundente foi o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), que mirou diretamente Haddad, a quem chamou de “professorzinho de nariz empinado incompetente e sem vergonha”.
Apoio nacional
Há um suspense se o Republicanos vai ou não apoiar a candidatura de Flávio à Presidência. Uma eventual aliança pode significar a indicação do vice na chapa, posição que ainda não foi ocupada diante do impasse. Os partidos terão até a próxima quarta, 5, para tomar uma decisão.
Marcos Pereira garantiu o apoio ao senador em São Paulo, mas deixou em aberto se isso se repetirá em âmbito nacional.
Se Tarcísio conseguiu acordos com todos os partidos de centro e de direita, Flávio está numa posição mais delicada: até o momento, ele não selou nenhuma aliança, e tem o apoio apenas do próprio partido.
Na última semana, a União Progressista anunciou que permanecerá neutra na disputa, posição que também deve ser adotada pelo Podemos.
Pereira já disse que, em consulta prévia aos filiados, havia um “sentimento de frustração” com a candidatura de Flávio, o que apontaria para uma neutralidade. As negociações, porém, seguem em andamento.
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