O deputado estadual Sargento Neto (PL) engrossou, nesta terça-feira (25), a pressão do bolsonarismo paraibano sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos–PB). Após sessão na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), o parlamentar afirmou que a anistia aos investigados pelos atos de 8 de janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é “a única saída” para o que classificou como “injustiça”.
Segundo Neto, cabe exclusivamente a Motta decidir se a proposta será levada ao plenário. “O único remédio para toda essa injustiça é pautar a anistia. E isso depende do presidente da Câmara. Ele tem essa força. Estamos cobrando e vamos cobrar ainda mais forte nesta semana”, declarou.
O deputado disse esperar reuniões entre líderes da oposição e a bancada conservadora para intensificar o apelo e pressionar o comando da Câmara a destravar o tema. “Só a anistia pode trazer equilíbrio e tranquilidade ao país”, completou.
A ofensiva de Sargento Neto se soma às críticas feitas pelo deputado estadual Walber Virgolino (PL), que afirmou que Motta “tenta agradar gregos e troianos” e que precisa honrar o compromisso firmado com a direita ao assumir a presidência da Câmara. Para ele, a anistia é o único instrumento capaz de reverter a situação de Bolsonaro e dos presos do 8 de janeiro.
A escalada de pressão ocorre após o comunicador e pré-candidato a deputado estadual Nilvan Ferreira publicar um vídeo responsabilizando Hugo Motta pelo agravamento da situação de Bolsonaro, preso preventivamente desde sábado. No discurso, Nilvan afirmou que a “opressão” e o “enclausuramento” impostos pelas instituições poderiam gerar consequências irreversíveis e alertou que o presidente da Câmara carregaria essa marca “para sempre”.
Ele também cobrou a votação imediata da anistia e disse que o adiamento da pauta tem impacto direto no destino do ex-presidente.
Motta quer adiar discussão da anistia
Apesar da pressão crescente, Hugo Motta sinalizou a aliados que não pretende pautar o tema agora. De acordo com relatos de parlamentares que o procuraram nos últimos dias, o presidente da Câmara considera o momento “conturbado” e acredita que retomar a discussão seria “colocar lenha na fogueira”.
O relator da proposta, Paulinho da Força (Solidariedade–SP), defende que a Câmara vote apenas a dosimetria das penas, sem tratar da anistia. Mesmo assim, o PL se articula para apresentar um destaque que insira o perdão amplo na votação, movimento que pode transformar a sessão em um teste de força entre bolsonaristas e o bloco governista.
Enquanto Brasília tenta conter a crise, a Paraíba emerge como um dos epicentros da disputa narrativa e da pressão política pela anistia.





