O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos–PB), tornou público nesta segunda-feira (24) o rompimento político com o líder do PT na Casa, Lindbergh Farias (PT–RJ). A declaração, dada à Folha de S.Paulo, escancara uma tensão que vinha crescendo nos bastidores e que agora atinge diretamente a articulação do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.
“Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, afirmou Motta, em tom categórico. Com isso, interlocutores do presidente da Câmara avaliam que, daqui para frente, qualquer contato com o petista será estritamente institucional.
Atritos acumulados há meses
O rompimento não surgiu do nada. Aliados de Motta relatam que o clima azedou ao longo de meses, especialmente em reuniões de líderes, onde acusam Lindbergh de elevar o tom contra o comando da Câmara e tentar desgastar a imagem da instituição. Pesou também a percepção de que o petista atuava como “porta-voz informal” do governo, ultrapassando o papel de líder da bancada do PT.
O desgaste, que até então se restringia a movimentações internas, agora respinga na relação entre o Planalto e a Câmara, num momento em que o governo já enfrenta dificuldades para consolidar alianças em votações estratégicas.
Lindbergh reage e acusa incoerência
Lindbergh classificou a atitude de Motta como “imatura” e rebateu dizendo que “política não é clube de amigos”. Ele citou ações recentes do presidente da Câmara que desagradaram o governo, como a derrubada do decreto do IOF, o avanço da chamada PEC da blindagem e, sobretudo, a escolha de Guilherme Derrite (PP–SP), ex-secretário de Segurança de Tarcísio de Freitas, para relatar o projeto de lei antifacção.
A indicação foi lida por petistas como um gesto político de Motta na direção do campo adversário, ampliando o fosso entre o comando da Câmara e o Palácio do Planalto.
Cenário de tensão prolongada
O episódio aumenta o desafio do governo Lula para reorganizar sua base, que já vinha demonstrando sinais de fadiga. A ruptura pública entre presidente da Câmara e líder do PT insere um novo elemento de instabilidade e pode influenciar diretamente a pauta legislativa de interesse do Executivo nas próximas semanas.
Nos bastidores, a avaliação é de que o estrago está feito, e que uma recomposição imediata é improvável.





