O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou nesta quarta-feira, 7, um plano de três fases para a Venezuela, que prevê a estabilização, supervisão da recuperação econômica e transição de poder no país. A proposta é lançada um dia após o presidente americano, Donald Trump, divulgar um acordo sobre petróleo com o governo da presidente interina Delcy Rodríguez. Em declarações após a captura de Nicolás Maduro, o republicano afirmou que os EUA administrariam o território venezuelano por tempo indeterminado.
“O primeiro passo é a estabilização do país. Não queremos que mergulhe no caos”, disse Rubio. “A segunda fase será a que chamamos de recuperação, que consiste em garantir que empresas americanas, ocidentais e de outros países tenham acesso ao mercado venezuelano de forma justa.”
“Ao mesmo tempo, iniciaremos o processo de reconciliação nacional na Venezuela, para que as forças de oposição possam ser anistiadas e libertadas das prisões ou repatriadas, e para que se comece a reconstruir a sociedade civil”, continuou. “E a terceira fase, claro, será a de transição.”
Rubio não mencionou a realização de novas eleições ou detalhou sobre como será a transição de poder. A líder da oposição da Venezuela, María Corina Machado, tem apelado para que o governo americano permita que Edmundo González — que teria vencido as eleições de 2024, apesar da vitória autodeclarada de Maduro — assuma como presidente legítimo. Até o momento, a Casa Branca descartou a ideia.
O secretário de Trump também explicou que o processo de estabilização inclui uma “quarentena” de Caracas no mercado internacional, além da apreensão de petroleiros. Mais cedo, as forças americanas informaram que interceptaram dois navios-tanque ligados à Venezuela. Rubio argumentou que há petróleo “preso” na nação caribenha que não pode ser movido pela “quarentena e porque está sancionado”.
“Nós vamos tomar entre 30 e 50 milhões de barras de óleo. Nós vamos vendê-lo no mercado, nas taxas de mercado, não nas descontos que a Venezuela estava recebendo”, acrescentou. “Esse dinheiro será, então, tratado de uma forma que nós vamos controlar como é distribuído, de uma forma que beneficie as pessoas venezuelanas, não a corrupção, não o regime.”
Prisão e acusações
Segundo reportagem da emissora CNN, Maduro e Cilia foram arrastados do quarto em que estavam por militares americanos na madrugada de sábado. Em entrevista à emissora americana Fox News, o presidente Donald Trump disse que assistiu ao vivo à captura, transmitida por agentes que participaram da missão. À agência de notícias Associated Press, o líder do partido governista venezuelano, Nahum Fernández, disse que ambos estavam na residência dentro do complexo militar do Forte Tiuna. Os dois estão presos no Brooklyn e alegam inocência.
Em um novo indiciamento divulgado no sábado, os promotores de Manhattan alegam que Maduro supervisionou pessoalmente uma rede de tráfico de cocaína patrocinada pelo Estado, que tinha parcerias com alguns dos grupos narcotraficantes mais violentos e prolíficos do mundo, incluindo os cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas, o grupo paramilitar colombiano FARC e a gangue venezuelana Tren de Aragua.
A acusação contra Maduro na Corte do Distrito Sul de Nova York coloca como réus, além do ditador deposto e sua esposa, o filho do líder venezuelano, Nicolás Maduro Guerra, o ministro do Interior, Diosdado Cabello, e Hector Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero e líder do Tren de Aragua.
Segundo o documento, Maduro “se associou a seus cúmplices para usar sua autoridade obtida ilegalmente e as instituições que corroeu para transportar milhares de toneladas de cocaína para os Estados Unidos”. A peça de acusação relembra a controversa trajetória do ditador e imputa a ele, por exemplo, o papel de ter movimentado carregamentos de cocaína sob proteção da polícia venezuelana quando era membro da Assembleia Nacional, ter fornecido passaportes diplomáticos a notórios traficantes de drogas e ter facilitado a cobertura diplomática para que criminosos mexicanos pudessem repatriar dinheiro do crime para a Venezuela.
“Maduro Flores permite que a corrupção alimentada pela cocaína floresça para seu próprio benefício, para o benefício dos membros de seu regime governante e para o benefício de seus familiares”, disse o procurador dos Estados Unidos Jay Clayton.
O documento ganha relevo porque é esta denúncia criminal formal, conhecida no sistema americano como “indictment”, que autoriza acusações criminais graves e a expedição de mandados de prisão internacionais. Acusado de narcoterrorismo, o venezuelano passa a ser enquadrado como risco à segurança nacional dos Estados Unidos com base em uma lei americana criada após os ataques de 11 de setembro de 2001. É na mescla de direito penal, direito internacional e risco à segurança nacional que autoridades do governo norte-americano se fiam para julgar e condenar Maduro.
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