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Educação financeira ganha espaço nas escolas e se torna ferramenta para preparar estudantes para o futuro

A educação financeira tem se consolidado como uma ferramenta importante na formação de crianças e adolescentes, especialmente diante de uma realidade marcada pelo estímulo ao consumo, facilidade de acesso ao crédito e endividamento das famílias. Mais do que ensinar cálculos, a proposta é preparar os estudantes para tomarem decisões conscientes sobre dinheiro ao longo da vida.

O aprendizado envolve conceitos presentes no cotidiano, como diferenciar desejos de necessidades, organizar gastos, planejar compras, poupar, comparar preços e consumir de maneira responsável. Quando esses conhecimentos são trabalhados desde cedo, crianças e jovens passam a compreender melhor as consequências das próprias escolhas e a importância do planejamento.

O tema já está contemplado na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de maneira transversal. O desafio, entretanto, é ampliar sua aplicação prática, fazendo com que a educação financeira esteja efetivamente presente nas atividades desenvolvidas pelas escolas e integrada às diferentes disciplinas.

Entre as iniciativas desenvolvidas no país está o trabalho realizado pelo Instituto Brasil Solidário (IBS), organização que atua há mais de duas décadas em ações relacionadas à educação pública. A entidade promove formação de educadores e utiliza ferramentas pedagógicas para aproximar os conceitos financeiros da realidade dos alunos.

Entre os recursos utilizados estão os jogos Piquenique e Bons Negócios, que trabalham de maneira lúdica assuntos como planejamento, consumo consciente, poupança, investimento e empreendedorismo.

Paraíba tem educadora como referência na área

Na Paraíba, uma das profissionais que se destacam na defesa da educação financeira é a professora Rosilene Nunes, embaixadora da Educação Financeira pelo Instituto Brasil Solidário e apontada como uma das precursoras da mobilização em torno do tema no estado.

Desde 2019, a educadora desenvolve ações voltadas à área, incluindo a formação de professores e iniciativas para ampliar a presença da educação financeira nas redes de ensino.

O trabalho desenvolvido por Rosilene também conquistou reconhecimento nacional. Em 2023, ela venceu, na categoria Professor, o Prêmio Educação Financeira Transforma, promovido pelo Instituto XP. A premiação ajudou a ampliar a visibilidade das ações desenvolvidas e da importância de levar o conhecimento financeiro para dentro das escolas.

A implantação dessas práticas, porém, exige uma atuação conjunta das redes de ensino. Formação dos professores, planejamento, materiais pedagógicos adequados e atividades relacionadas à realidade das famílias são apontados como elementos importantes para que o conteúdo produza resultados.

Atividades simples, como a elaboração de um orçamento, comparação de preços ou discussões sobre consumo e desperdício, podem ajudar os estudantes a compreender conceitos que serão utilizados durante toda a vida.

Para Michael Lopes da Silva, pedagogo, psicopedagogo, ex-secretário de Educação de Esperança e ex-presidente da Undime/PB, a educação financeira deve fazer parte da preparação dos estudantes para os desafios encontrados fora da escola.

A proposta parte do entendimento de que educação financeira não significa necessariamente possuir muito dinheiro, mas aprender a administrar os recursos disponíveis, fazer escolhas responsáveis e planejar o futuro. Dessa forma, a escola amplia seu papel na formação cidadã, preparando crianças e adolescentes não apenas para o mercado de trabalho, mas também para decisões financeiras que estarão presentes em todas as fases da vida.

Parlamento em Destaque com Damião Lima

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