A relação entre o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, atravessa seu momento mais delicado desde o início do governo Lula. A crise se intensificou após a Câmara derrubar, por ampla maioria, o decreto que aumentava o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), impondo uma derrota expressiva ao Palácio do Planalto.
O estremecimento na relação política entre ambos chegou a ser repercutido pela imprensa nacional.
A votação, anunciada por Motta nas redes sociais na noite anterior, surpreendeu o governo e foi interpretada como um gesto de distanciamento político. O placar de 383 votos favoráveis contra 98 contrários evidenciou o enfraquecimento da articulação entre Executivo e Legislativo.
Segundo aliados do deputado paraibano, a relação com Haddad já vinha estremecida desde o início de junho, quando Motta passou a criticar duramente a proposta do governo, dias após ter classificado como “histórica” a reunião em que ela foi apresentada. O parlamentar teria se sentido alvo de críticas veladas atribuídas ao ministro e, desde então, evita contato direto com ele.
Em entrevista, Haddad afirmou desconhecer os motivos da mudança de postura de Motta e negou ter feito qualquer crítica indireta. “Não fiz essa referência que chegou ao presidente da Câmara. E ele foi informado disso por mim”, declarou o ministro, que tentou, sem sucesso, reverter o mal-estar.
A tensão também foi discutida em reunião com líderes da Câmara e ministros do governo, onde Motta teria mencionado a existência de “fogo amigo” nas negociações. Apesar do clima de ruptura, interlocutores acreditam que o diálogo ainda pode reconstruir pontes, com a atuação de figuras como o líder do MDB, Isnaldo Bulhões Jr.
O presidente Lula, embora mantenha apoio a Haddad, demonstrou preocupação com os ruídos na articulação política. A crise ocorre em um momento crucial para o governo, que busca aprovar medidas fiscais e garantir estabilidade econômica.
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