Galhos cultivados por agricultores familiares de Remígio foram devolvidos pela cantora à associação responsável pelo fornecimento após a cerimônia.
Os 12,5 mil galhos de algodão que substituíram as flores na decoração do casamento de Juliette Freire e Kaíque Cerveny terão uma nova utilidade após a celebração. Produzido por agricultores familiares do Agreste paraibano, o material foi devolvido pela cantora à associação responsável pelo fornecimento para ser reaproveitado na cadeia produtiva.
A cerimônia religiosa e a festa aconteceram na quinta-feira (29), no Instituto Ricardo Brennand, em Recife. Antes da celebração, o casal já havia realizado uma cerimônia intimista em 30 de setembro, no Lajedo de Pai Mateus, em Cabaceiras, no Cariri da Paraíba. O encontro reuniu apenas os pais e irmãos dos noivos.
A escolha do algodão levou para a decoração elementos ligados à tradição agrícola da Paraíba, especialmente à produção de fibras coloridas.
O fornecimento foi realizado pela Rede Borborema de Agroecologia, organização com sede no assentamento Queimadas, em Remígio. A associação reúne agricultores de diferentes municípios do Agreste, entre eles Casserengue, Barra de Santa Rosa, Algodão de Jandaíra e Areia.
De acordo com Suzana Aguiar, representante da Rede Borborema de Agroecologia, o cultivo do material utilizado na cerimônia levou 150 dias, desde o plantio até a colheita. Os agricultores receberam pelo fornecimento dos galhos, que foram posteriormente doados de volta à associação por Juliette.
“Os agricultores receberam um pagamento para fornecer esse algodão, mas aí a Juliette doou esse algodão de volta para que ele não tenha desperdício no casamento”, explicou Suzana.
Do total utilizado na decoração, 7,5 mil galhos eram de algodão colorido e outros 5 mil de algodão branco. A iniciativa também chamou atenção para o trabalho das famílias que cultivam a fibra no estado.
Para Suzana, a presença do algodão na celebração contribuiu para ampliar a visibilidade da agricultura familiar e reconhecer a participação dos produtores em um evento de repercussão nacional.
“O algodão foi o principal elemento do casamento, que é símbolo nordestino de resistência, a visibilidade para os nossos agricultores e agricultoras. Além de ter gerado renda para as famílias, que se sentiram pertencentes à celebração”, afirmou.
Artesãs de Boqueirão produziram lembranças para os convidados

A produção paraibana também esteve presente nas lembranças entregues aos convidados. Foram confeccionadas 300 bolsas de crochê pela Associação das Crocheteiras do Lajeiro do Marinho, em Boqueirão, no Agreste do estado.
Segundo Maria Suelene, representante das artesãs, o grupo levou pouco mais de dois meses para concluir as peças. A encomenda permitiu que o trabalho desenvolvido pelas mulheres chegasse a uma celebração acompanhada nacionalmente.
“É muito prazeroso ver o nosso trabalho, a nossa arte pelo mundo afora; é muito gratificante”, declarou.
O convite da festa também chamou atenção pelo material utilizado. Imagens divulgadas por uma página de fãs mostram que a peça foi feita de barro, com formato quadriculado, bordas irregulares e os nomes dos noivos na parte da frente. No verso, o convite trazia a frase: “Tudo o que é essencial nasce da terra e do tempo”.

Estilista paraibana assinou três vestidos de Juliette

A participação da Paraíba no casamento também chegou aos trajes da cantora. Os três vestidos usados por Juliette nas celebrações foram criados pela estilista paraibana Rebeca Nepomuceno, que já assinou peças para casamentos de personalidades como Alok e Maju Trindade.
As criações foram pensadas para diferentes momentos: o filme de pré-casamento, a cerimônia intimista realizada em 30 de setembro, no Lajedo de Pai Mateus, em Cabaceiras, e a festa realizada em Recife, na quinta-feira (29).
Jornal da Paraíba





