A voz da Imparcialidade

Moraes acusa Mendonça de montar “farsa incriminatória com finalidade político-eleitoral” em despacho do STF

O magistrado sustenta que a medida tomada pelo relator foi conduzida de forma unilateral.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), acusou formalmente o ministro André Mendonça de agir com “finalidade político-eleitoral” ao determinar apurações que culminaram na exposição de diálogos entre ele e o banqueiro Daniel Vorcaro, em caso que terá a nulidade apreciada pelo plenário da Corte nesta terça-feira (15).

Em manifestação protocolada na noite desta segunda-feira (14), Moraes apresentou 121 tópicos jurídicos para sustentar a anulação do relatório elaborado pela Polícia Federal. O magistrado sustenta que a medida tomada pelo relator foi conduzida de forma unilateral e sem provocação formal dos órgãos competentes.

Alegação de direcionamento e timing eleitoral

No despacho, Moraes afirma que a decisão de Mendonça teve o objetivo de fabricar acusações para interferir no cenário político nacional às vésperas do pleito de outubro de 2026.

“São inúmeros os elementos que comprovam que a decisão nula dada de ofício pelo Ministro André Mendonça, sem oitiva do Ministério Público ou provocação da Polícia, foi deliberadamente direcionada pelo Ministro relator PARA MONTAR UMA VERDADEIRA FARSA INCRIMINATÓRIA COM FINALIDADE POLÍTICO-ELEITORAL”, pontuou Moraes no documento.

A peça destaca ainda o momento em que o material foi tornado público, dias antes dos atos de campanha e comícios tradicionais do feriado de 7 de Setembro. Moraes também citou um vídeo divulgado por Mendonça no início do mês agradecendo o apoio e orações de fiéis da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, onde atua como pastor.

“Por motivos políticos-eleitorais, houve direcionamento do magistrado relator para incriminar colega do STF, bem como o Presidente do Senado Federal e favorecer determinado grupo político nas eleições de outubro de 2026, inclusive com o vazamento pelo próprio relator (como todos vocês da imprensa sabem) na semana antecedente ao 7/9, como uma tentativa de impulsionar os comícios de determinado grupo político”, declarou.

Tese de retaliação institucional

Moraes apontou que a investida configura uma tentativa de retaliação decorrente de sua atuação como relator das investigações sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro — responsável pela indicação de Mendonça à Suprema Corte.

“Apesar da farsa montada e divulgada, não existe absolutamente nada e todos sabem a motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras. VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito”, escreveu o ministro, concluindo que “a tentativa de Golpe não se encerrou em 8/1/2023, simplesmente mudou seu modus operandi”.

Wscom

COMPARTILHE AGORA

Facebook
Twitter
WhatsApp