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Michelle Bolsonaro deixa o PL Mulher e agrava crise com Flávio

A ex-primeira dama Michelle Bolsonaro não aceitou a trégua. Ela deixou a presidência do PL Mulher nesta segunda-feira em meio à crise com os enteados Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro. A decisão foi anunciada após reunião com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em Brasília. Michelle comunicou a saída em nota, na qual afirmou que vai se dedicar integralmente aos cuidados com o marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, e com a filha, após refletir sobre o momento vivido pela família. A nota não menciona a candidatura da ex-primeira dama ao Senado pelo partido. Valdemar também divulgou comunicado em que diz que “Michelle passa por um momento difícil” e que divergências no partido são normais. (g1)

A senadora Damares Alves (Republicanos) e a governadora Celina Leão (PL-DF) foram responsáveis por convencer Michelle a não ir além e se desfiliar do PL. A ex-primeira-dama deixou a reunião com Valdemar decidida a deixar a legenda. De lá, foi para o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal. As aliadas usaram o peso do cenário eleitoral do DF para demovê-la da ideia. Celina conta com o apoio da ex-primeira-dama para tentar a reeleição. A aposta é que, até as convenções partidárias, no final de julho, elas convencerão Michelle a ser candidata ao Senado. Pouco depois, ao chegar ao Senado, Damares afirmou que não participará do encontro com mulheres conservadoras marcado por Flávio Bolsonaro para hoje. E disse acreditar que Michelle também ficará de fora. “Não vou. Acho que Michelle também não.” (Metrópoles)

Uma das principais razões para o rompimento de ambas com a pré-campanha de Flávio é o fato de que ele não condenou com veemência os ataques contra elas nas redes sociais vindos de Eduardo Bolsonaro e sua turma. Dos Estados Unidos, o próprio Eduardo já disparou nove postagens com referências diretas e indiretas à madrasta desde que Flávio pediu união ao partido. O grupo que promove os ataques inclui ainda os influenciadores Paulo Figueiredo e Allan dos Santos, que também vivem nos EUA, e Kim Paim, que vive na Austrália, e Oswaldo Eustáquio, que está na Espanha. (Globo)

Horas antes de anunciar a saída do PL Mulher, Michelle repostou um vídeo em que o ex-governador Anthony Garotinho diz ter visto imagens de festas do banqueiro Daniel Vorcaro com mulheres nuas e “homens que defendem a família”. A republicação, acompanhada da frase “a verdade de Jesus vai prevalecer”, foi interpretada por aliados de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como uma nova indireta ao senador e reacendeu a tensão entre os dois, em meio às discussões sobre a relação do filho de Jair Bolsonaro com o dono do Banco Master. (Folha)

Aliás, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) a notícia-crime apresentada pelo deputado Lindbergh Farias (PT) sobre o caso Dark Horse. Agora, caberá ao procurador-geral Paulo Gonet decidir se abre investigação, pede diligências ou arquiva as acusações sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro, que envolvem o senador e Daniel Vorcaro. (ICL Notícias)

Flávia Tavares: “Michelle se sentiu confortável para soltar a bomba na pré-campanha de Flávio porque está ciente do imenso capital político e eleitoral que construiu no PL Mulher e do quanto o resto do bolsonarismo carece dele: o voto feminino é um ativo em disputa, um dos poucos, nesta eleição. Jair não o detinha. Flávio não o conquista. Eduardo o despreza”. Confira a análise no Cá entre Nós. (Meio)

Bolsonarismo e lulopetismo fabricam, cada um a seu modo, uma genealogia sobre o próprio passado, sem que nenhum dos dois explique como pretende continuar mandando. Creomar de Souza explica, no Meio Político desta semana, de que maneira isso os mantém empatados na preferência eleitoral. O Meio Político é exclusivo para assinantes premium. Assine agora e receba a análise hoje, às 11h.

Com News no Meio

Foto: Evaristo Sa / AFP

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