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TSE manda retirar pesquisa que apontava queda de Flávio Bolsonaro e questiona metodologia da AtlasIntel

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou nesta segunda-feira (8) a retirada do conteúdo e a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto AtlasIntel. O levantamento, divulgado em maio, apontava uma queda de cinco pontos percentuais nas intenções de voto do senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

A decisão atende a um pedido apresentado pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada pelo instituto e alegou que parte do questionário teria sido elaborada para induzir respostas negativas sobre o parlamentar. Com a medida, a AtlasIntel fica impedida de manter os resultados da pesquisa em seus canais oficiais até nova deliberação da Justiça Eleitoral.

O levantamento foi divulgado após a repercussão de um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, no qual ele supostamente solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o PL, a inclusão de perguntas relacionadas ao caso comprometeu a neutralidade da pesquisa.

Na decisão, Kassio Nunes Marques afirmou que há indícios de possível contaminação das respostas dos entrevistados, o que pode ter comprometido a metodologia do levantamento. O ministro destacou que a discussão não se limita a divergências técnicas, mas envolve a suspeita de utilização do questionário como instrumento de indução da opinião pública.

“A controvérsia suscitada nos autos não se limita à mera discordância quanto às escolhas metodológicas da representada, mas envolve alegação objetiva de possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”, registrou o magistrado.

De acordo com o Partido Liberal, das 49 perguntas formuladas pela pesquisa, oito tratavam diretamente do Banco Master e de fatos relacionados ao senador Flávio Bolsonaro. A legenda argumenta que a sequência das questões teria criado um ambiente desfavorável ao pré-candidato antes da medição das intenções de voto.

Entre os questionamentos apontados pelo partido estão perguntas sobre qual grupo político estaria mais envolvido em supostas fraudes financeiras do Banco Master, além de indagações sobre o conhecimento e a audição de áudios vazados envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

O PL sustentou ainda que a sequência das perguntas produziu efeitos de “priming”, “framing” e “ancoragem”, conceitos utilizados em pesquisas de opinião para descrever mecanismos capazes de influenciar a percepção dos entrevistados. Para a legenda, o levantamento teria extrapolado sua função informativa e se transformado em uma ferramenta indireta de propaganda negativa.

Na decisão, Nunes Marques observou que outras 27 pesquisas realizadas anteriormente pela AtlasIntel não utilizaram metodologia semelhante nem fizeram uso de conteúdos em áudio durante a aplicação dos questionários. O ministro também determinou que o instituto apresente documentação técnica complementar para esclarecer os procedimentos adotados e justificar a utilização do material questionado.

O caso também será analisado pelo Ministério Público Eleitoral, que deverá emitir parecer sobre o processo. Além disso, a decisão individual do presidente do TSE será submetida à apreciação do plenário da Corte durante sessão marcada para esta terça-feira (9).

A pesquisa da AtlasIntel ouviu 5.032 eleitores entre os dias 13 e 18 de maio. Segundo o instituto, o levantamento possui margem de erro de um ponto percentual e nível de confiança de 95%.

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