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Pesquisa mostra por que a economia é desafio central para Lula na corrida eleitoral

A percepção negativa da economia emerge como um dos principais fatores a influenciar o cenário político brasileiro, segundo a pesquisa presidencial divulgada pela Real Time Big Data, divulgada nesta terça-feira, 5. O levantamento — que aponta o presidente Lula tecnicamente empatado com adversários de direita no segundo turno — indica que a avaliação do ambiente econômico segue deteriorada para a maioria dos brasileiros, criando um pano de fundo desafiador para o petista.

Embora o estudo tenha como foco a corrida eleitoral, os dados econômicos aparecem de forma transversal e ajudam a explicar a dinâmica do voto. Segundo a pesquisa, na comparação com o governo anterior, 40% dos brasileiros consideram que a economia piorou, enquanto 31% avaliam que houve melhora.

A renda se mostra um divisor claro desse comportamento, refletindo diferentes percepções sobre a situação econômica do país.

Nas faixas de menor renda — até dois salários mínimos, que representam 46% da amostra — Lula mantém vantagem mais expressiva: 46% das intenções de voto, contra 30% de Flávio Bolsonaro. O dado sugere maior resiliência do governo entre eleitores mais dependentes de políticas públicas e transferências de renda.

Entre os brasileiros com renda de dois a cinco salários mínimos, o cenário se equilibra, com leve vantagem para o campo oposicionista: Flávio Bolsonaro tem 37%, ante 35% de Lula. O movimento indica erosão de apoio em segmentos que funcionam como termômetro da classe média.

A diferença se amplia entre os eleitores de maior renda. No grupo com ganhos acima de cinco salários mínimos, Flávio Bolsonaro lidera com 36%, contra 30% de Lula — evidenciando a resistência de setores mais abastados à condução da política econômica.

No total, 79% dos entrevistados ganham até cinco salários mínimos, grupo mais sensível à inflação e ao custo de vida. Nesse contingente, oscilações de preços e renda têm impacto direto na avaliação do governo.

Agenda eleitoral

Temas econômicos recentes ampliam essa influência e revelam forte apelo popular. A proposta de fim da escala 6×1 tem apoio de 71% dos brasileiros, contra 23% que desaprovam. Já a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até 5.000 reais é aprovada por 69%, enquanto 20% se posicionam contra.

O levantamento também mostra respaldo à restrição da publicidade de apostas on-line: 63% defendem a proibição, enquanto 31% são contrários. Os dados indicam que medidas diretamente ligadas à renda disponível, jornada de trabalho e endividamento encontram forte ressonância entre os eleitores.

Essas pautas vêm sendo tratadas por integrantes do governo como instrumentos para melhorar a percepção econômica e recuperar apoio político. Com forte adesão popular, propostas como a isenção ampliada do Imposto de Renda e mudanças nas regras trabalhistas aparecem como apostas para aliviar o custo de vida e responder ao desgaste captado pela pesquisa.

No plano externo, a guerra no Oriente Médio adiciona pressão ao cenário econômico. O conflito afeta preços globais, especialmente de energia, e contribui para a percepção de inflação persistente — um dos fatores mais sensíveis para a população de menor renda.

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